A iniciativa de um governo em enaltecer uma ideologia política através da história passada, projetando-a para o futuro, através de monumentos públicos, proporciona um enfrentamento diário, entre os transeuntes e o monumento, de maneira que não há como ficar isento a essas imagens que vão se armazenando no inconsciente. Segundo o que Argan(2004) analisa, “as imagens do passado evocadas pela memória e derivadas da história, (...) pressionam as imagens do presente (...) a tal ponto que terminam por interpenetrar-se”.
Observando os resultados deste pontapé inicial, a partir desta época, vários governantes, do município e do estado, passaram a olhar para Curitiba na tentativa de transformá-la em uma cidade que deveria ser um modelo: de cidade limpa, de respeito ao meio ambiente, de lugar ideal para viver, de trânsito organizado e outros. E cada um destes governos se lançou numa tarefa que deixasse a marca de sua passagem e projetasse sua imagem, de político bem sucedido, em âmbito nacional. A ação de Bento Munhoz da Rocha Neto, nos anos 1950, determinou um lugar na cidade, em que a história da emancipação está representada, não será esquecida, porque é continuamente vista, e determina que este povo tem um lugar em que sua memória é preservada e ele pode seguir para o futuro. Mas o mural do centenário conta uma história muito mais profunda que as histórias contadas nos livros oficiais. Conta a história do estado pelo ponto de vista de um artista sensível às causas sociais e o conjunto de detalhes que ratifica essas impressões do artista, não são percebidos facilmente pelo tipo de espectador que transita pela Praça 19 de dezembro. Seria necessário um tempo bem maior que a espera de um ônibus para observar o que Poty pensava sobre as relações entre o poder e o povo.